Quando as lentes do olhar renovam os horizontes, tudo que parece o mesmo, pode vir a ser diferente.

08 fevereiro 2017

Dia Cinza


 A cidade acorda com o barulho da gotas de chuva que explodem ao se chocar com o asfalto, o som das buzinas é a única melodia nesse dia em que tudo é cinza, dia em que o céu tem a cor uniforme, tudo é baço e de cores pesadas...o teto está baixo, pessoas passam apressadas protegidas com as cor cinza e se confundem a uma paisagem de tom uniforme.

07 fevereiro 2017

Duelo no micro mundo



Pela manhã me deparo com lagartas destruindo minha planta, paro para observar o micro mundo onde a predominância do verde, chega a ofuscar os olhos;
num embate mortal com uma formiga, uma lagarta se retorce, enquanto são observadas por um gafanhoto verde cheguei, impávido àquela cena, talvez espere o desfecho para então se pronunciar sobre a tal luta, ou quem sabe seja amigo da formiga e inimigo da lagarta...ou vice e versa...
Percebo que ao redor há uma pequena plateia, outros insetos que também estão a observar a luta mas ninguém se aproxima do octógono;
Tenho que ir e não sei explicar quem ganhou o embate final, ao voltar não estavam mais lá, nem os lutadores nem o gafanhoto e nem a plateia, só havia a folha destruída pela passagem dos gladiadores daquele micro mundo.

01 fevereiro 2017

o vento sem dó nem piedade
desarruma os cabelos secos da árvore
e os joga ao chão anunciando o outono

Aog Rocha

31 janeiro 2017

Barquinho de Papel

Em barquinhos de papel
Saio a navegar
um minuto de distancia
entre o agora e minha infância
Em barquinhos de papel
viajo por muitos cantos
Atravesso o horizonte
sonhando encontrar
um porto seguro
um ombro
um lar...


Aog Rocha

26 janeiro 2017

DIANTE DAS FOTOS DE EVANDRO TEIXEIRA

DIANTE DAS FOTOS DE EVANDRO TEIXEIRA

A pessoa, o lugar, o objeto
estão expostos e escondidos
ao mesmo tempo, sob a luz,
e dois olhos não são bastantes
para captar o que se oculta
no rápido florir de um gesto.

É preciso que a lente mágica
enriqueça a visão humana
e do real de cada coisa
um mais seco real extraia
para que penetremos fundo
no puro enigma das imagens.

Fotografia-é o codinome
da mais aguda percepção
que a nós mesmos nos vai mostrando,
e da evanescência de tudo
edifica uma permanência,
cristal do tempo no papel.

Das lutas de rua no Rio
em 68, que nos resta,
mais positivo, mais queimante
do que as fotos acusadoras,
tão vivas hoje como então,
a lembrar como exorcizar?

Marcas de enchente e de despejo,
o cadáver insepultável,
o colchão atirado ao vento,
a lodosa, podre favela,
o mendigo de Nova York,
a moça em flor no Jóquei Clube,

Garrincha e Nureyev, dança
de dois destinos, mães-de-santo
na praia-templo de Ipanema,
a dama estranha de Ouro Preto,
a dor da América Latina,
mitos não são, pois que são fotos.

Fotografia: arma de amor,
de justiça e conhecimento,
pelas sete partes do mundo,
viajas, surpreendes, testemunhas
a tormentosa vida do homem
e a esperança de brotar das cinzas.