Quando as lentes do olhar renovam os horizontes, tudo que parece o mesmo, pode vir a ser diferente.

28 janeiro 2015



"...tempo é um tecido invisivel em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima de invisivel é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro."




Cada um rema sozinho uma canoa que navega um rio diferente, 
mesmo parecendo que esta pertinho.
Guimarães Rosa



26 janeiro 2015


As Luas de dezembro brilham dentro da sala
São coloridas ou douradas 
as luas de dezembro;
me trazem à infância,leves, frágeis, quebráveis
a árvore seca imitando neve é envolta de algodão,
E as luas de dezembro ao ar  feito bolhas de sabão.

Aog Rocha


Reverbera

Um mandala depenado na casa de janelas de espera
O sacro amor profano
A falta de saber deixar
E os telefones todos com ela

Esse seu me abandonar por aí
Minha solidão, querendo seu estranho desejo odioso.
E várias outras mãos te digitando
E os telefones tocam sem ela

E desse vai sem ir
Nesse insosso sabor de desdém
Aonde eu vejo e penso lembro
E o telefone reverbera essa aquarela.
André Luz Gonçalves

09 dezembro 2014

Calmaria
Há calmaria na voz mansa do rio
não espantes quem ainda dorme
Não acordes quem ainda se assusta
Deixe que os acordes sonoros
da maresia
despertarão do sono profundo
e ele virá beijar-te a tez morena
em um dia de sol forte.


Aog Rocha



21 outubro 2014





A fuga
No mar revolto que é a vida
todo motivo real ou nâo
choca e nos coloca diante
de versos,rimas e espadas
e esgrimas invisiveis nos tocam o corpo.

Arcos flechas,placas,setas
expulsam e norteiam destinos pontiagudos
onde as chagas dos corpos
sufuram e putrefam sem socorro
algum.
Ainda não chegou a meia noite,
mas almas penadas e lobisomens
caminham entre nós,
cadeias e quartos são abertos
e inicia-se a fuga em direções ignoradas
como a buscar abrigo em lúgubres paragens
nessa brincadeira de céu e inferno
até que chegue nossa vez
e saimos no encalço do destino
até chegue o primeiro raio lilás da aurora.
(Adaury Rocha)

20 setembro 2014

 

Me Leve 

Paulinho Moska

Quero voar contigo
P'ruma outra dimensão
Me empreste suas asas
Ou venha comigo
Vamos anular o peso do corpo
E flutuar sobre as nuvens
Como bruxas montadas em vassouras
Na insustentável leveza do ser
Levitar sobre o peso de viver
Não pra perseguir sonhos
Mas pra enlouquecer ventanias
Vamos nos perder na nossa fantasia
Me leve leve...
Me leve leve... com você
Me leve com você
Vamos flutuar no espaço da poesia invisível
Sem destino e sem cansaço
Seremos um só ser

 



17 setembro 2014

Carnavalesca Capitânia

Rebecca Braga

A minha casa não tem cadeira nem mesa
A minha casa não tem telhado é uma beleza (2X)
E hoje eu acordei com saudade do meu quarto
Quarto crescente da lua cheia
Que me recebeu no parto
Só pra você ver
Como é que eu faço
Como é que eu divido espaço
E quando você chegar
Me dê uma pista
De onde você está
Qual é a vista?
Se tem cheiro de mar
Se há terra à vista
Eu só quero é entender
Como a gente se perdeu
Quando a gente se descobriu
Se foi Cabral
Na época de Carnavil
Por que é que ele levou meu pau?
Meu Pau Brasil


08 setembro 2014

Dualidadeara

Num cenário que avista-se
longíncuo e desbotado,
vê-se vultos
de tudo que denota-se amor,
resquícios daquilo que chamamos dor,
e caí a máscara do fingimento
ante outros olhos.
O fundo falso do baú
onde guardamos sensações,
quebra-se e deixa a mostra todo ato proibido.....
fatos concretos,imaginações,desejos,libido
e...cai a máscara do "dissimulacrum"
ante outros olhos.
(Adaury)