26 outubro 2017
RELIGIOSIDADE
Ela veio com a voz religiosa
com os olhos de fé
e as mãos, essas cheias de graças
por uma vida,
por uma ar,
por um ver, e enxergar
o terço no pescoço,
Trançado ao escapulário
e no corpo a camisa da festividade
traduziam naquela figura
a mãe de uma comunidade.
25 outubro 2017
Faxina
Estive pensando
Farei uma faxina em meu ser
jogarei tudo o que me faz perecer
resgatarei só os bons pensamentos
aniquilarei tudo o que não usei
por não ser útil
devolverei o sorriso antes apagado
e enxugarei as lágrimas derramadas
o coração será restaurado
e as asas, ah! essas serão consertadas
e voarei para o seu lado.
Aog Rocha
Farei uma faxina em meu ser
jogarei tudo o que me faz perecer
resgatarei só os bons pensamentos
aniquilarei tudo o que não usei
por não ser útil
devolverei o sorriso antes apagado
e enxugarei as lágrimas derramadas
o coração será restaurado
e as asas, ah! essas serão consertadas
e voarei para o seu lado.
Aog Rocha
08 setembro 2017
A bela flor violeta
Em frente ao pálido muro cinza
nasce uma bela flor violeta
vindo de um ramo verde
contrasta com a sisudez impávida
de alguém estático e imóvel
sem sorriso e sem ser dócil
mesmo com quem lhe faz sombra
para não torrar ao sol de meio dia.
ainda assim a bela flor violeta lhe abre um sorriso
e exala seu perfume, para que chegue a noite
o frio não lhe maltrate a alma.
Aog Rocha
Descanso da Jornada
Uma libélula faceira
descansa suas asas,
em um vergalhão de construção,
equilibra-se antes de continuar
a longa jornada
que irá terminar com um mergulho
na próxima enseada.
Aog Rocha
08 fevereiro 2017
Dia Cinza
A cidade acorda com o barulho da gotas de chuva que explodem ao se chocar com o asfalto, o som das buzinas é a única melodia nesse dia em que tudo é cinza, dia em que o céu tem a cor uniforme, tudo é baço e de cores pesadas...o teto está baixo, pessoas passam apressadas protegidas com as cor cinza e se confundem a uma paisagem de tom uniforme.
07 fevereiro 2017
Duelo no micro mundo
Pela manhã me deparo com lagartas destruindo minha planta, paro para observar o micro mundo onde a predominância do verde, chega a ofuscar os olhos;
num embate mortal com uma formiga, uma lagarta se retorce, enquanto são observadas por um gafanhoto verde cheguei, impávido àquela cena, talvez espere o desfecho para então se pronunciar sobre a tal luta, ou quem sabe seja amigo da formiga e inimigo da lagarta...ou vice e versa...
Percebo que ao redor há uma pequena plateia, outros insetos que também estão a observar a luta mas ninguém se aproxima do octógono;
Tenho que ir e não sei explicar quem ganhou o embate final, ao voltar não estavam mais lá, nem os lutadores nem o gafanhoto e nem a plateia, só havia a folha destruída pela passagem dos gladiadores daquele micro mundo.
01 fevereiro 2017
31 janeiro 2017
Barquinho de Papel
Saio a navegar
um minuto de distancia
entre o agora e minha infância
Em barquinhos de papel
viajo por muitos cantos
Atravesso o horizonte
sonhando encontrar
um porto seguro
um ombro
um lar...
Aog Rocha
26 janeiro 2017
DIANTE DAS FOTOS DE EVANDRO TEIXEIRA
DIANTE DAS FOTOS DE EVANDRO TEIXEIRA
A pessoa, o lugar, o objeto
estão expostos e escondidos
ao mesmo tempo, sob a luz,
e dois olhos não são bastantes
para captar o que se oculta
no rápido florir de um gesto.
É preciso que a lente mágica
enriqueça a visão humana
e do real de cada coisa
um mais seco real extraia
para que penetremos fundo
no puro enigma das imagens.
Fotografia-é o codinome
da mais aguda percepção
que a nós mesmos nos vai mostrando,
e da evanescência de tudo
edifica uma permanência,
cristal do tempo no papel.
Das lutas de rua no Rio
em 68, que nos resta,
mais positivo, mais queimante
do que as fotos acusadoras,
tão vivas hoje como então,
a lembrar como exorcizar?
Marcas de enchente e de despejo,
o cadáver insepultável,
o colchão atirado ao vento,
a lodosa, podre favela,
o mendigo de Nova York,
a moça em flor no Jóquei Clube,
Garrincha e Nureyev, dança
de dois destinos, mães-de-santo
na praia-templo de Ipanema,
a dama estranha de Ouro Preto,
a dor da América Latina,
mitos não são, pois que são fotos.
Fotografia: arma de amor,
de justiça e conhecimento,
pelas sete partes do mundo,
viajas, surpreendes, testemunhas
a tormentosa vida do homem
e a esperança de brotar das cinzas.
A pessoa, o lugar, o objeto
estão expostos e escondidos
ao mesmo tempo, sob a luz,
e dois olhos não são bastantes
para captar o que se oculta
no rápido florir de um gesto.
É preciso que a lente mágica
enriqueça a visão humana
e do real de cada coisa
um mais seco real extraia
para que penetremos fundo
no puro enigma das imagens.
Fotografia-é o codinome
da mais aguda percepção
que a nós mesmos nos vai mostrando,
e da evanescência de tudo
edifica uma permanência,
cristal do tempo no papel.
Das lutas de rua no Rio
em 68, que nos resta,
mais positivo, mais queimante
do que as fotos acusadoras,
tão vivas hoje como então,
a lembrar como exorcizar?
Marcas de enchente e de despejo,
o cadáver insepultável,
o colchão atirado ao vento,
a lodosa, podre favela,
o mendigo de Nova York,
a moça em flor no Jóquei Clube,
Garrincha e Nureyev, dança
de dois destinos, mães-de-santo
na praia-templo de Ipanema,
a dama estranha de Ouro Preto,
a dor da América Latina,
mitos não são, pois que são fotos.
Fotografia: arma de amor,
de justiça e conhecimento,
pelas sete partes do mundo,
viajas, surpreendes, testemunhas
a tormentosa vida do homem
e a esperança de brotar das cinzas.
06 março 2016
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