Quando as lentes do olhar renovam os horizontes, tudo que parece o mesmo, pode vir a ser diferente.

31 janeiro 2017

Barquinho de Papel

Em barquinhos de papel
Saio a navegar
um minuto de distancia
entre o agora e minha infância
Em barquinhos de papel
viajo por muitos cantos
Atravesso o horizonte
sonhando encontrar
um porto seguro
um ombro
um lar...


Aog Rocha

26 janeiro 2017

DIANTE DAS FOTOS DE EVANDRO TEIXEIRA

DIANTE DAS FOTOS DE EVANDRO TEIXEIRA

A pessoa, o lugar, o objeto
estão expostos e escondidos
ao mesmo tempo, sob a luz,
e dois olhos não são bastantes
para captar o que se oculta
no rápido florir de um gesto.

É preciso que a lente mágica
enriqueça a visão humana
e do real de cada coisa
um mais seco real extraia
para que penetremos fundo
no puro enigma das imagens.

Fotografia-é o codinome
da mais aguda percepção
que a nós mesmos nos vai mostrando,
e da evanescência de tudo
edifica uma permanência,
cristal do tempo no papel.

Das lutas de rua no Rio
em 68, que nos resta,
mais positivo, mais queimante
do que as fotos acusadoras,
tão vivas hoje como então,
a lembrar como exorcizar?

Marcas de enchente e de despejo,
o cadáver insepultável,
o colchão atirado ao vento,
a lodosa, podre favela,
o mendigo de Nova York,
a moça em flor no Jóquei Clube,

Garrincha e Nureyev, dança
de dois destinos, mães-de-santo
na praia-templo de Ipanema,
a dama estranha de Ouro Preto,
a dor da América Latina,
mitos não são, pois que são fotos.

Fotografia: arma de amor,
de justiça e conhecimento,
pelas sete partes do mundo,
viajas, surpreendes, testemunhas
a tormentosa vida do homem
e a esperança de brotar das cinzas.

09 novembro 2015




A aurora
Da madrugada
da existência,
a aurora de
tudo oque virá,

um curto espaço
no qual trava-se
luta intensa
para tentar
ver a luz
e viver tudo oque
se pensa.
(ADAURY)

22 julho 2015

Poronga






"As conversas sob a luz da "poronga"
varam a madrugada,
a lua já vai alta no céu
e as "visagens" insistem em povoar
o causo do tio avô, que "atirô" sem "vê"
pensando ser uma caça,
mas era apenas a palha do babaçu sob a luz da lua
bailando ao capricho do vento"
 
 
 
 
 

13 fevereiro 2015


A PIPA

Bailando no ar
levada por um leve sibilar
no cio do vento
A pipa sobe 
e foge para o alto
de onde possa enxergar
quem a quer distante 

Aog Rocha




11 fevereiro 2015


Num voo ligeiro
por sobre a superficie de espelho
fito minha sombra
e nela me reconheço.

Aog Rocha




10 fevereiro 2015

A Casinha


Dois quartos,uma casinha
sala,banheiro e cozinha.
Uma mesa,três cadeiras,
um fogão,duas panelinhas.

Retrato de vida simples,
se chove a vida fica fria,
se faz sol e tudo esquenta
a cama fica vazia.
Família de três pessoas,
pai,mãe e menininha,
no quintal,varal com roupas
ou na cerca da vizinha.
Uma casinha e o retrato
de vida simples,concreta...
três camas em um só quarto...
três corpos,um só destino.


(ADAURY)


30 janeiro 2015

Piracema

No rio,canoa e pescador
vão descendo no remanso
o barquinho a favor do vento
contra a correnteza com força.
Joga a tarrafa no banzeiro,
tira o batelão da vaga
que abriu-se na passagem
do choque com a proa da balsa.
Vendo crepitar de peixe
na flor d"água
joga a rede
que o arrastão vai dar fruto.
..e mais duas canoas chegam "junto",
tem peixe pra todo mundo,
é piracema no rio,
canoa e pescador
com a sorte a favor.
Hoje não tem ninguém "panema"
não tem canoa vazia
é tempo de piracema
e entoa-se a cantoria.

(ADAURY)


28 janeiro 2015



"...tempo é um tecido invisivel em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima de invisivel é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro."